Antidepressivo engorda? Entenda o que é efeito colateral e o que é comportamento

capa blog antidepressivo engorda?

Essa é uma das perguntas que eu mais escuto no consultório e, muito provavelmente, você já se fez essa pergunta em algum momento. Começou ou está prestes a começar um antidepressivo e percebeu que o peso mudou, a fome aumentou ou a relação com a comida ficou diferente. Então surge a dúvida: foi o remédio que engordou ou tem algo mais acontecendo?

A resposta curta é: depende. E eu sei que essa não é a resposta que você gostaria de ouvir, mas ela é a mais honesta.

Existe muita desinformação sobre antidepressivos e ganho de peso. Algumas pessoas colocam toda a culpa no medicamento, enquanto outras ignoram completamente os efeitos que ele pode ter no corpo. A verdade está no meio do caminho e envolve entender o que é efeito colateral real do remédio e o que é mudança de comportamento, apetite e rotina.

Quero conversar com você sobre isso com clareza, sem terrorismo e sem promessas milagrosas.

1. Antidepressivo pode causar ganho de peso?

Sim, alguns antidepressivos podem estar associados ao ganho de peso. Isso é descrito na literatura científica e não deve ser ignorado. Estudos mostram que certos medicamentos, principalmente alguns antidepressivos mais antigos e específicos, podem levar a um aumento médio de peso ao longo de meses ou anos de uso.

Mas é importante entender que isso não acontece da mesma forma para todas as pessoas. Enquanto alguns ganham peso, outros mantêm o peso estável e há quem até emagreça.

Isso já nos mostra um ponto fundamental: o medicamento sozinho não explica tudo.

2. O que realmente pode mudar com o uso do antidepressivo

O antidepressivo não adiciona calorias ao seu corpo. Ele não faz o organismo criar gordura do nada. O que ele pode fazer é alterar mecanismos que influenciam o comportamento alimentar.

Alguns medicamentos podem aumentar o apetite (pelo aumento da serotonina), fazendo com que a pessoa coma maiores quantidades sem perceber.

Além disso, há efeitos indiretos importantes. Quando o humor melhora, a pessoa volta a sentir prazer em comer, em socializar e em sair. Isso, por si só, já muda a rotina alimentar.

Em outros casos, o antidepressivo reduz a ansiedade e a tristeza, mas a alimentação pode continuar ser usada como forma de conforto, algo que já existia antes, mas estava “adormecido” pela falta de apetite típica de quadros depressivos mais intensos.

3. Quando o ganho de peso é comportamento, não efeito colateral

Aqui está um ponto crucial e pouco discutido.

Muitas pessoas emagreceram durante um período de depressão porque comiam pouco, pulavam refeições ou não tinham energia para se alimentar. Quando o tratamento começa a funcionar, o apetite retorna ao que seria fisiológico ou até acima disso.

O problema é que esse retorno não vem acompanhado, automaticamente, de escolhas alimentares equilibradas.

Se a rotina continua desorganizada, o sono ruim, o estresse alto e a alimentação baseada em praticidade e ultraprocessados, o ganho de peso tende a acontecer. Nesse cenário, o antidepressivo vira o vilão, quando, na verdade, ele apenas tirou o freio que estava segurando o apetite.

Na prática clínica, vejo muitos pacientes que associam o início do medicamento ao ganho de peso, mas, ao analisarmos o dia a dia, fica claro que ele sozinho não acarretou nessa mudança.

4. O papel dos hormônios e do metabolismo

Outro ponto importante é que quadros de depressão e ansiedade, por si só, já alteram hormônios como cortisol, insulina e leptina. Esses hormônios regulam fome, saciedade e armazenamento de gordura.

Quando o tratamento começa, o corpo passa por ajustes. Em algumas pessoas, esse período de adaptação vem acompanhado de retenção de líquido, alteração no intestino e flutuações no peso que não representam, necessariamente, ganho real de gordura.

Além disso, o uso prolongado de antidepressivos pode estar associado a redução da taxa metabólica em alguns casos, principalmente quando combinado com sedentarismo e alimentação inadequada. Mais uma vez, não é uma regra, mas é uma possibilidade.

5. Por que demonizar o antidepressivo é perigoso

Um erro comum é abandonar o tratamento por medo de engordar.

Interromper um antidepressivo sem orientação pode agravar sintomas, piorar a relação com a comida, aumentar episódios de compulsão e gerar ainda mais frustração.

A saúde mental precisa ser prioridade. O ganho de peso, quando acontece, pode e deve ser manejado com estratégia nutricional, ajustes de rotina e acompanhamento adequado.

Em muitos casos, pequenas mudanças na alimentação, no horário das refeições, na qualidade dos alimentos e no manejo do estresse já fazem grande diferença, sem necessidade de trocar ou suspender o medicamento.

Antidepressivo não engorda todas as pessoas, não age sozinho e não deve ser tratado como vilão.

O ganho de peso, quando acontece, costuma ser resultado de uma soma de fatores: alterações no apetite, comportamento alimentar, rotina, hormônios e contexto emocional.

Se você usa antidepressivo e percebeu mudanças no peso ou na relação com a comida, isso não é sinal de fraqueza ou falta de controle. É um sinal de que seu corpo e sua mente estão passando por um processo que precisa ser olhado com mais atenção.

Nutrição e saúde mental caminham juntas. Entender essa relação é o primeiro passo para cuidar do corpo sem abrir mão do tratamento que você precisa.

Quer ajuda para equilibrar isso na prática?

Se você sente que o antidepressivo ajudou sua saúde mental, mas trouxe desafios com o peso, a fome ou a alimentação, a consulta nutricional pode te ajudar a encontrar esse equilíbrio.

Na consulta, eu avalio sua rotina, histórico, exames, comportamento alimentar e sinais do corpo para construir uma estratégia possível, sustentável e alinhada com o seu momento de vida.

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Cuidar da mente e do corpo não precisa ser uma escolha entre um ou outro.

Forte abraço,
Nutri Mai.

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